quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quando teremos uma virada paulista de verdade?

Bem que o Estado de São Paulo merecia uma virada de verdade! Já tem décadas que a política paulista segue arrastada num lenga-lenga regido por um único projeto: deixar as coisas como estão, manter os mesmos grupos no poder, satisfazer  a fome insaciável das panelinhas de sempre. Geraldo Alckmin - o insípido - é o cara perfeito para desempenhar esse papel de não-líder das elites e da classe média de São Paulo. Será o seu gerente, mas nem por isso alguém morrerá de amor por ele.
Passam os anos e os políticos locais repetem a antiga ladainha dos arcaicos liberais paulistas. Ladainha criada nos confins do século XIX e que na época podia até fazer algum sentido. São Paulo, diziam, é uma ilha de progresso no imenso território da preguiça nacional. Em vista disso foi até comparada à pujante nação yankee. Os próprios paulistas se viam racialmente superiores aos indolentes brasileiros. E chegaram até a pensar em separatismo.
Mas veio a República e com ela a oportunidade de impor os interesses de São Paulo ao restante do país. Aliados às forças oligárquicas decadentes dos outros estados, as elites paulistas venceram os verdadeiros republicanos - os militares positivistas cujos sonhos, ainda que quixotescos, eram, ao menos, decentes e patrióticos. E por trinta anos, então, impuseram seu império liberal particularista. Até que um novo exército patriótico, nacionalista e reformista, tendo à frente um civil gaúcho baixinho, botou prá correr o último presidente da orgulhosa burguesia bandeirante.
De lá para cá a política paulista foi um contínuo desandar. Tentaram 32, foram derrotados. A saída foi simular uma composição com o baixinho gaúcho até a hora em que fosse possível dar outro bote. Mas quem seriam os novos líderes de São Paulo? Teve de tudo: o corrupto Ademar, do rouba mas faz, o Jânio maluco e um ou outro cristão constrito cheira-não-fede, como Carvalho Pinto, espécie pré-Alckmin. Até o golpe de 64, realizado em nome do anticomunismo - que a elite e a classe média locais apoiaram entusiasticamente - a política paulista oscilou entre a demagogia, o golpismo e o semsaborismo cristão, personificados por aquelas três figuras patéticas.
Diante dessa tacanheza, os truculentos generais não tiveram qualquer dificuldade em São Paulo. Designaram Maluf para interpretar a alma paulista e este representou o papel com esmero, sempre aplaudido de pé pela platéia eleitora local. Tão bem que continuou no palco até mesmo depois da queda dos ditadores.
A história recente continuou na mesma toada depressiva. A única novidade foi o surgimento de uma nova força política no ABC: o petismo que, embora apoiado numa ampla base social, em escala nacional, não foi até o momento capaz de furar o cerco conservador estadual. Na ponta oposta, Montoro e Covas tentaram sem sucesso reanimar o espírito dos seus conterrâneos com um arremedo de socialdemocracia, que rapidamente retornou aos seus princípios ideológicos de origem: o velho liberalismo, rebatizado de neoliberalismo. Criado nos laboratórios de ciência política da USP, ele teria FHC como seu mentor e logo seu executor nacional.
Hoje tal projeto se encontra liquidado na maior parte do país em face do novo ímpeto de reforma social encabeçado pelo PT. Mas teima em sobreviver em São Paulo, cuja população, até agora parece dormir ao som tedioso do seu líder sem projeto. Quando será a hora da virada?

Um comentário:

  1. Artigo interessante. Algo que nunca parei para pensar (sou paulista), é como se comparou o crescimento do PIB paulista frente a outros estados. E creio que interessaria ao governo federal desenvolver mais outros estados, para diminuir as diferenças regionais.

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